sábado, 14 de janeiro de 2012

A bailarina vai às compras

Júnior Sampaio
Por Pollyanna Diniz
Texto na íntegra - http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog

“Não compreendo quem sou, só compreendo que estou…estou bailarina”

A sinopse diz que A bailarina vai às compras releva um transexual de meia-idade que faz um espetáculo performativo nos corredores de um supermercado; mas o telefone não para de tocar e ele não tem dinheiro para comprar o que colocou no carrinho, então precisa devolver os produtos para as prateleiras.


A bailarina quer “açúcar, farinha, arroz, bens essenciais que não tem dinheiro para pagar. E acaba por devolver tudo e fazer do ato uma terapia contra a compulsão. E oferece-se ao público vulgar, transformando o supermercado no seu teatro e as caixeiras em público. Como todos nós, a personagem faz teatro para que a amem e para se tratar. E escolhe uma máscara que amplia, distancia, enormiza mas aflora a dor das suas dores. Afinal, a bailarina vai comprar amor. E não tem dinheiro para pagar”, explica a portuguesa Maria do Céu Guerra, que assina a coordenação artística do espetáculo.

“A busca da identidade — que começa por ser de género — vai revelando a necessidade da busca de uma identidade artística, uma individualidade… independente de gêneros, um eu artístico independente de julgamentos e de preconceitos, livre”, completa, Rita Lello, responsável pela encenação.

Em 2010, esse filho mais novo de uma família de sete irmãos, que viveu a infância entre uma fazenda e a cidade de Salgueiro, no Sertão pernambucano, me disse que quando ia começar uma nova peça, “um dos critérios é que não seja parecida com nada que fiz. Fujo muito ‘da minha cara’. Tem que ser uma coisa que o espectador queira, precise ouvir. Ligo as antenas para o mundo. Não gosto de fazer peça para o meu umbigo. Adoro o público”. E o público responde…adorou, por exemplo, as duas performances que ele fez no lançamento do Satisfeita, Yolanda?, no Espaço Muda.


O blog Satisfeita, Yolanda? é um espaço para críticas, entrevistas, reportagens, bastidores. E, principalmente, para dar continuidade e repercussão ao processo de criação da arte teatral. As Yolandas – Ivana Moura e Pollyanna Diniz – são jornalistas pernambucanas, apaixonadas por teatro.

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